Jango: 33 anos sem ele.

Há trinta e três anos cala-se a voz de Jango!

Cala-se sua voz física, através de sua morte programada por uma conspiração dos serviços secretos do Brasil, Uruguai, Argentina e Estados Unidos, em uma reunião realizada em setembro, em Montevidéu na “base Arenales”. Era uma espécie de bunker secreto onde operavam as diligências do terrorismo de Estado, onde em reunião privada os Sres. Gral. Queirolo, chefe da inteligência do exército uruguaio, Frederick Latrash, “chief of station da CIA” para o Rio de La Plata (Uruguai e Argentina), o delegado Sergio Fleury do DOI-CODI a mando da ditadura brasileira, o grupo paramilitar que conduzia a operação “Escorpião” até aquele momento de monitoramento e o “Capitán Adônis”, médico legista uruguaio responsável pela manipulação de venenos vindos da operação “Andréa” cujo verdadeiro nome era Dr. Carlos Milles. Ele que manipularia o cianureto de potássio, produzido no Chile na casa de Lo Naranjo, em Cullo, Chile, pelo químico da DINA “Hermes Berríos”, junto com Michael Townley, assassino de Letellier e hoje protegido pelo governo americano, veneno este entregue por Latrash para o prosseguimento da operação “Escorpião”, agora transformada de monitoramento para extermínio.

Continuamos hoje a escutar a sua voz!

Seu exemplo transforma-se em caminho a ser seguido e estudado pela academia neste momento tão singular da perda de valores éticos e morais pelo qual atravessa o nosso país, de vídeos, gravações, processos públicos que atingem todos os poderes da Nação, executivos, legislativos e judiciários, de tão mau exemplo para as novas gerações descrentes dos políticos e sem esperanças ao não conhecerem o passado dos que, como Jango tombou no caminho da liberdade, democracia e justiça social.

A Nação, que demorou quarenta e quatro anos para anistiar Jango, agora demora o seu judiciário em tomar iniciativas concretas de soberania e vontade política de tocar adiante o pedido de investigação feito pelo IPG-Instituto Presidente João Goulart, da abertura de acão civil pública, para citar esses cidadãos americanos como Latrash e Townley, para que deponham diante de um juiz brasileiro sobre a morte do único presidente constitucional de nosso país que ainda não teve as honras de chefe de Estado, tornando-se o único presidente legalista a morrer no exílio em nome das liberdades individuais e coletivas que a democracia e justiça social exigem, até com a morte daqueles que permanecem incólumes diante da história da Pátria.

Mais uma vez torna-se necessário o clamor da soberania nacional de não temer os EEUU e fazer as reivindicações de auditivas destes personagens tenebrosos dos anos setenta que se abrigam sob a proteção do Estado imperialista.

Outros países já abriram investigações neste sentido.

A Suprema Corte de Justiça do Chile colocou em forma exclusiva um magistrado com poderes específicos para investigar a morte de seu ex-presidente Eduardo Frei Montalva morto através de uma sopa de bactérias quando se operou no Chile de uma hérnia estomacal, também praticados por compostos fabricados pelo “Hermes” Berríos, morto pelo próprio Pinochet, anos depois como queima de arquivo num balneário perto de Montevidéu, Uruguai.

A Argentina já colocou em prisão seus ex-ditadores e presidentes militares Videla, Galtieri e outros altos militares que praticaram crimes de “lesa humanidade”, tais como seqüestros, assassinatos premeditados, tortura e desaparecimentos seletivos.

O pequeno Uruguai, já nos deu também o exemplo de colocar na prisão seus ex-presidentes “Goyo Alvarez” e Juan Maria Bordaberry, pelos mesmos crimes de seus comparsas argentinos.

A nós nos resta continuar ouvindo o clamor da justiça histórica que se faz necessária ao esclarecimento definitivo da morte de nosso Presidente João Goulart!

A nós nos resta continuar exigindo a conduta seria e responsável de nossas autoridades para que este país não seja visto como inoperante diante das condutas que devem ser tomadas nesta investigação. Inclusive da citação das ex-autoridades americanas que estiveram envolvidas em terrorismo de Estado contra os países da América do Sul nos anos sessenta, setenta e oitenta.

Eles tiveram sim os Dan Mitrione da vida. Eles tiveram sim responsabilidades intervencionistas e criminais contra a vida de nossos líderes de todas as nacionalidades latino-americanas.

Nestes 6 de dezembro, há trinta e três anos nos levaram Jango de nosso convívio, mas não nos levaram a força do seu exemplo de dignidade e conduta que é a morte no exílio em prol da liberdade e democracia!

Mas não vamos esquecer o que temos que esclarecer!

Vamos de cabeça erguida continuar com os exemplos de liberdade e de soberania que conquistamos através de seu exemplo, de sua vida, de sua conduta e por que não reverenciar também a sua morte a serviço da emancipação brasileira.

Morrer pela Pátria não é pouca sorte!

Jango está entre eles!


João Vicente Goulart.

Diretor do IPG-Instituto Pte. João Goulart.

Brasília 6 de dezembro de 2009.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s