EUA dizem que site WikiLeaks ‘atacou a comunidade internacional’ com vazamentos

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta segunda-feira (29) que o vazamento de documentos confidenciais dos Estados Unidos representa “um ataque à comunidade internacional” e expressou pesar pelos estragos causados pela publicação.
– Essa divulgação não é apenas um atentado a interesses estrangeiros da política americana. É um ataque à comunidade internacional.
Hillary se refere à divulgação sem precedentes de 250 mil documentos confidenciais pelo site WikiLeaks, que se dedica a expor os segredos oficiais dos americanos. Os textos contêm comentários e informes elaborados por funcionários dos EUA, com linguagem franca e até dura em relação a outras nações, como Brasil, França e Venezuela.
Após uma reunião com o ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, a secretária de Estado afirmou em entrevistas que o governo responsabilizará duramente quem vazou as informações.
– Ordenei ações específicas no Departamento de Estado, além de novas medidas de segurança no Departamento de Defesa e em outros lugares. Esse tipo de violação não pode e não acontecerá novamente.
Vazamento abala relações dos EUA com países
O maior acesso a informações do governo norte-americano sobre política externa já começa a abalar suas relações com outros países. O governo do Paraguai disse nesta segunda-feira (29) que convidou a embaixadora dos EUA para uma reunião para obter informações sobre telegramas diplomáticos de Washington que contêm dados referentes ao Paraguai.
Os documentos também apontam que as autoridades brasileiras estão engajadas em buscar células terroristas na tríplice fronteira com Argentina e Paraguai, mas que raramente tais prisões são classificadas como ato de terrorismo. Desse modo, o país tentaria “mascarar” o assunto para evitar chamar a atenção da imprensa e dos altos níveis do governo.
Procurada pelo portal R7, a PF informou que não irá se pronunciar sobre o caso. Já o Ministério das Relações Exteriores afirmou que não houve tempo para analisar os documentos e não emitiram um comunicado a respeito.
Mundo tenta lidar com tensão provocada por WikiLeaks
Governos do mundo todo estão quebrando a cabeça para tentar reduzir os danos provocados pelos documentos confidenciais e comentários indiscretos.
Apesar do embaraço dos diplomatas, as autoridades foram rápidas em criticar a divulgação das cartas confidenciais, a maioria datada de 2007 a fevereiro deste ano, e em afirmar que seus conteúdos não danificarão as relações com os EUA.
Entre as revelações mais bombásticas, está um pedido do rei saudita Abdullah aos americanos para que “cortem a cabeça” da cobra iraniana e um memorando que relata como hackers do governo chinês tentaram invadir o Google.
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, cujas políticas são alvo de muitos documentos, desprezou o vazamento, afirmando que as informações são “uma travessura”, “não valem nada”.
O Reino Unido e a França, por sua vez, afirmaram que continuarão trabalhando de maneira próxima com os EUA, apesar das descrições pouco honrosas aos seus governantes, o primeiro-ministro britânico David Cameron e o presidente francês Nicolas Sarkozy.
O dono do Wikileaks, Julian Assange, descreveu o lote de documentos divulgados como “uma história diplomática dos EUA”, que abrange “todos os temas mais importantes” de sua política externa.
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