Filho de vítima de Battisti conta como crime aconteceu e critica Lula

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Danielle Sousa – Direto de Milão, na Itália | Internacional | 10/02/2011 19h04

Foto: DivulgaçãoTalvez seja mais fácil compreender quem é Cesare Battisti e por que o povo italiano e principalmente as pessoas vítimas dos seus crimes lutam para que ele cumpra a prisão perpétua, determinada pela Justiça italiana, ouvindo quem sofreu com os seus atos terroristas.
O SRZD entrevistou Adriano Sabbadin, o jovem italiano que vive em uma pequena cidade perto de Veneza. Adriano presenciou o assassinato do pai no dia 16 de fevereiro de 1979 e contou com detalhes por que o seu pai foi uma vítima de Battisti e o que aconteceu naquele dia.
Sabbadin conta como aconteceu assassinato de seu pai na década de 1970
Adriano Sabbadin não esconde a sua desilusão com o ex-presidente Lula. E depois de tantas tentativas em vão do governo italiano em reaver Cesare Battisti, também, a sua falta de esperança na justiça humana.
“Não creio em mais nada. Somente na justiça divina. Nossa família, os parentes e amigos estão decepcionados com a decisão do ex-presidente Lula. Talvez ele não tenha avaliado bem o dossiê ou talvez tenha agido de acordo com as suas convicções. De qualquer forma, penso que com essa decisão ele tenha se transformado em um cúmplice de Battisti”, disse Sabbadin.
Cesare Battisti, filho e neto de comunistas, fazia parte do grupo extremista Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), uma dissidência das Brigadas Vermelhas, grupos que aterrorizavam a Itália nos anos 70.
Eram os chamados “Anos de chumbo” na Itália, iniciados em 1968, em Roma, marcados por constantes confrontos políticos entre a extrema direita e a extrema esquerda. Uma onda de violência, que chegou ao final com 69 mortos, mais de mil feridos, com 4.290 confrontos em praça pública, 7.866 atentados terroristas.
Um desses mortos é Lino Sabbadin, pai de Adriano, que passou a ser um inimigo de Cesare Battisti dois meses antes de ser assassinado, quando tentava defender o seu comércio de terroristas. Lino lutou contra dois ladrões que invadiram o seu açougue e acabou ferindo um deles, que morreu poucas horas depois. Em resposta, o grupo terrorista, dias depois, explodiu uma bomba no negócio da família Sabbadin e fizeram ameaças de morte. E não pararam por aí. Cumpriram a ameaça disparando sete vezes contra Lino.
“Eu estava ao telefone atrás do balcão, entraram no nosso negócio Battisti e Giacomin, perguntaram de Lino Sabbadin. Meu pai se apresentou, e em seguida, pediram para ver o documento de identidade para confirmar. Depois ouvi os primeiros disparos, corri para o segundo andar, onde era a nossa casa, para me esconder. Minha mãe presenciou tudo e, quando meu pai já estava morto, ela o colocou nos braços e tinha o avental todo sujo de sangue. Nunca esquecerei dessa cena”, relembra Adriano.

Entenda o caso
Cesare Battisti foi preso, mas conseguiu escapar e se escondeu primeiro em Puerto Escondido, depois foi para França, e em 2004, quando estava prestes a ser entregue pelo governo francês, fugiu para o Rio de Janeiro. Na Itália, ele foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos nos anos 70.
Até 2007, vivia livre no Brasil e depois foi preso a pedido do governo italiano, que pedia sua extradição. Mas, o então ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, concedeu refúgio político, considerando crimes políticos os cometidos por Battisti. A decisão não foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal.
No fim do ano passado, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que não iria extraditar Battisti, que permanece preso no Brasil. A decisão revoltou os italianos.

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