Quando estudante Wellington já demonstrava que precisava de ajuda e tratamento

‘O bobo da sala se tornou um criminoso’, diz ex-colega de atirador

Bruno Linhares estudou com Wellington Menezes durante 2 anos.
Wellington matou 12 crianças em ataque em escola na Zona Oeste do Rio.

Carolina Lauriano Do G1 RJ
Flores, velas e cruzes em frente à escola atacada em Realengo, na Zona Oeste do Rio (Foto: Reprodução/TV Globo) 

Wellington Menezes de Oliveira, homem que atirou contra escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo (Foto: Reprodução/TV Globo) 

Wellington Menezes de Oliveira, homem que atirou
contra escola municipal Tasso da Silveira, em
Realengo (Foto: Reprodução/TV Globo)

Gráfico atualizado da tragédia na escola em Realengo, 12 mortos (Foto: Arte/G1)

Larissa dos Santos Atanázio, vítima do atirador em Realengo (Foto: Reprodução) 
“Não dá para acreditar que um garoto que era o bobo da sala se tornou um criminoso”. Ainda incrédulo com o massacre na escola municipal Tasso da Silveira e a caminho do velório de Larissa dos Santos Atanásio, uma das 12 crianças que morreram no ataque de quinta-feira (7), o estudante Bruno Linhares de Almeida, de 23 anos, falou com o G1, na manhã desta sexta-feira (8).
Ele estudou com Wellington Menezes durante dois anos, nas 7ª e 8ª séries, na mesma escola onde houve o tiroteio. Onze baleados seguem internados nesta sexta-feira, em seis hospitais do Rio.
“Eu me lembro muito, o Wellington era o ‘bundão’ da turma, era um cara totalmente tranquilo, um bobão. Implicavam bastante com ele, zuavam ele de tudo o que é nome”, contou Bruno. Mas depois o jovem ressaltou: “Ele apesar de ser bundão, ele tinha um sorriso assustador”.
Wellington andava com suposto homossexual

Segundo Bruno, Wellington gostava muito de computador e não tinha muitos amigos. Mas tinha um aluno da turma que o atirador sempre andava junto e que, de acordo com Bruno, seria homossexual. “Eles viviam colados, só sentavam juntos. Muitas vezes ele era chamado de ‘veadinho’”, contou.
O jovem disse que não conseguiu dormir durante a última noite. “Sonhei o tempo todo com ele. Foi horrível. Era uma pessoa que estava do meu lado na turma e depois de anos você encontra a foto dele no jornal. 
A gente nunca imaginava que a pessoa mais calada, que nunca fazia nada, nunca levava advertência, ia se transformar numa pessoa criminosa dessa”, desabafou.
A última vez que Bruno viu o ex-colega de turma foi há cerca de um ano, em um ponto de ônibus próximo à escola. “Ele perguntou como eu tava, sempre meio tranquilão”, contou.
Larissa dos Santos Atanázio,
vítima do atirador em Realengo (Foto: Reprodução)
Bruno disse que conhecia Larissa, morta no massacre, da igreja onde frequentava. “Dei o último abraço nela no domingo. Ela veio me abraçar, do jeito doce dela”, lembrou.
“Está difícil de assimilar que um garoto da minha sala, uma pessoa que eu passei dois anos, vendo quase todo dia, fez uma coisa dessa. Ontem, em frente à escola, um colega nosso, colega de turma, bateu no meu ombro e falou ‘lembra que eu falei, brincando, para ele (Wellington): um dia você ainda vai matar muita gente?’. Mas nunca ia imaginar que ele ia fazer isso na escola”, disse Bruno.
Enterros
Para esta sexta estão confirmados os enterros de oito vítimas do ataque. Vão estar disponíveis ônibus na porta da escola para transporte para os cemitérios. A previsão é de que cinco jovens – Rafael Pereira da Silva, Luíza Paula da Silveira, Larissa dos Santos Atanásio, Karine Lorrayne Chagas e Igor Moraes da Silva – sejam sepultados no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste.
Estão previstos para o Cemitério do Murundu, em Realengo, os enterros de Laryssa da Silva Martins, Mariana Rocha de Souza, Bianca Rocha Tavares e Milena dos Santos Nascimento. Já o enterro de Géssica Guedes Pereira está previsto para o Cemitério de Ricardo de Albuquerque, no subúrbio do Rio.

Os corpos de Milena dos Santos Nascimento, Samira Pires Ribeiro e Ana Carolina Pacheco da Silva já foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML), mas ainda não há confirmação de local e horário dos enterros. O corpo do atirador também está no IML. Nenhum parente apareceu para tratar do enterro.
Homenagem na porta da escola
A noite após o ataque da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, foi de tristeza e homenagens em frente à unidade onde crianças foram vítimas do atirador Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos. Na manhã desta sexta-feira, do lado de fora, no muro da unidade havia flores, velas e cruzes, além de papéis com os nomes dos mortos no massacre.
A previsão é que assistentes sociais e psicólogos façam plantão próximo a escola para dar auxílio a alunos, funcionários e suas famílias. O colégio passou a noite lacrado, com a presença de policiais militares. As aulas estão suspensas.
Polícia quer traçar perfil psicológico do atirador
O delegado titular da Divisão de Homicídios do Rio, Felipe Ettore, disse nesta madrugada, em entrevista ao Jornal da Globo, que o principal objetivo das investigações é traçar um perfil psicológico de Wellington Menezes de Oliveira, responsável pelo ataque.
“A mãe biológica dele seria portadora de esquizofrenia, segundo relatos dos familiares identificados.
A importância é traçar se essa doença mental dele é hereditária”, completou, que afirmou que a perícia na escola continuará a ser realizada nesta sexta.
Como foi
A tragédia foi por volta das 8h30 de quinta-feira (7). Wellington entrou na escola e atirou em salas de aula lotadas. Segundo lista divulgada no início da noite, 12 crianças morreram. O atirador se matou, de acordo com a polícia (saiba como foi a tragédia).
A perícia realizada nesta tarde achou sua casa totalmente destruída: móveis e eletrodomésticos foram quebrados.
Os investigadores querem saber como um rapaz sem antecedentes criminais sabia manusear as armas. 
Ele usou dois revólveres: um de calibre 38 e outro de calibre 32 e estava com muita munição num cinturão. Ele usava um equipamento chamado de “speedloader”, um dispositivo que ajudava a recarregar as armas rapidamente, de uma vez só.
A polícia está tentando descobrir como Wellington conseguiu as armas. 
O revólver 38 está com a numeração raspada, o que dificulta o rastreamento. 
Os investigadores localizaram a origem da outra arma, de calibre 32. O dono dela já morreu e, em depoimento, seu filho disse que o revólver tinha sido roubado há quase 18 anos.
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