Selada a saída de Jobim

A publicação de um texto com o perfil do ministro da Defesa, Nelson Jobim, na edição da revista “Piauí” que chega às bancas hoje selou o destino dele no governo: segundo fontes do Palácio do Planalto, a decisão da presidente Dilma Rousseff é a de demiti-lo do cargo – o que pode acontecer ainda hoje à noite (ele está em viagem oficial a Tabatinga-AM) ou amanhã.
Se confirmada a demissão, Jobim será o terceiro ministro a perder o cargo em pouco mais de sete meses do mandato de Dilma Rousseff. Todos por decisão dela. O mais cotado para ocupar o cargo é José Eduardo Cardozo, atual ministro da Justiça, que integra a comitiva do governo no Amazonas.
A irritação da presidente cresceu porque ela teve  longa conversa na manhã de ontem com o ministro e Jobim não mencionou a entrevista à “Piauí”, na qual ele chama a colega Ideli Salvatti de “fraquinha”, diz que Gleisi Hoffmann “não conhece Brasília” e ainda afirma que no Palácio do Planalto houve “muita desconfiança” quanto a José Genoino, mas que a decisão de levá-lo para o Ministério da Defesa foi sua.  Na conversa de ontem entre Dilma e Jobim, ficou acertado que o ministro deixaria o cargo em outro momento, mais para o final do ano ou começo do ano que vem. A publicação do perfil dele e, como disse um assessor, “as aspas da revista ‘Piauí’”  precipitaram a decisão.
A presidente Dilma Rousseff já recebeu cópia da reportagem sobre Jobim e, segundo assessores, disse que vai ler com mais calma à noite.
Jobim está em viagem a Tabatinga, ao lado do vice-presidente Michel Temer e dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardoso, e da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco. Pela manhã, quando todos entraram no avião, foi distribuído o clipping dos jornais do dia. Nele, trechos do perfil de Jobim na revista “Piauí” publicados pela coluna de Mônica Bergamo, na “Folha de S.Paulo”. Segundo um dos presentes, “foi um constrangimento só”.
Desde ontem, quando veio a público a notícia da fala de Jobim à “Piauí”, o clima ficou tenso no Planalto. O sentimento de decepção tomou conta porque  a avaliação era a de que o problema de Jobim estaria superado com a conversa dele pela manhã com a presidente. Mas como ele não fez referência à entrevista à “Piauí”, o ambiente voltou a esquentar.
Aos ministros, Jobim disse que não teve a intenção de ofender a ministra.
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