Jango, um Ministro do Trabalho sem comparações



                              

                                    
O trabalhismo sempre teve como referência a vida e a luta do Presidente Getulio Vargas, o maior estadista republicano e líder inconteste dos trabalhadores brasileiros, assim como Jango, herdeiro político do presidente, que como seu ministro do Trabalho Industria e Comercio desempenhou um papel até hoje reconhecido pelos historiadores brasileiros, como aquele que impulsionou e formou a estrutura e organização do sindicalismo brasileiro, dando a este a importância nas decisões de geração de emprego e nas decisões laborais das relações entre capital e trabalho em nosso país.
Por estas iniciativas, Jango como ministro do Trabalho do Presidente Vargas sofreu inúmeras perseguições de ordem política dos adversários de Vargas e do trabalhismo, na época sendo taxado de comunista, agitador de massas e inclusive , através de uma campanha difamatória da imprensa adversária, de querer promulgar, através do fortalecimento dos sindicatos, a implantação de uma “República Sindicalista” no Brasil.
A sanha contra o presidente Vargas e seu ministro foi feroz, ataques de todos os lados, civis e militares, que inclusive divulgaram contra ministro o famoso “Manifesto do Coronéis” exigindo a saída de Jango do Ministério do Trabalho.
Jango havia proposto á Nação o aumento de 100% no salário mínimo dos trabalhadores brasileiros que há anos vinham sendo sacrificados com o achatamento salarial em nome do esforço do desenvolvimento econômico do Brasil.
Aquele jovem ministro sofria perseguições por estar ao lado dos trabalhadores. Em 1953, a pedido de Vargas já presidia o PTB nacional e tinha a força para mobilizar os sindicatos e os trabalhadores brasileiros. Em uma atitude de desprendimento e lealdade ao Presidente Vargas, apresentou em janeiro de 1954 o seu pedido de demissão do cargo de Ministro do Trabalho, em caráter irrevogável protegendo assim o seu líder, o Presidente da República, das pressões da Tribuna de Imprensa, O Globo e outros órgãos reacionários e lacerdistas que queriam a queda do governo constitucional já naquela ocasião.
Jango caiu do ministério, mas obteve sua vitória junto à massa operaria do Brasil no1° de maio daquele ano, quando são restauradas as perdas salariais dos trabalhadoresbrasaileiros em 100% de aumento. Com a sua atitude de renúncia havia conquistado aquela vitória; como ele mesmo diria em sua carta de demissão:  “apenas mudo de trincheira”.
A sua luta foi tenaz, política, guerreira e lutando contra a imprensa por questões ideológicas, laborais e desafiadoras das elites empresariais da época. Mas não existiam contra ele ataques da imprensa por motivos de corrupção dentro do ministério, nem de desvios de recursos de dinheiro público.
Com essa bandeira na mão, Jango elege-se posteriormente, no comando do PTB, duas vezes Vice-Presidente da República, sendo na primeira em 1955, mais votado que o próprio Presidente da República, Juscelino Kubitschek.
Pois este mesmo trabalhismo hoje assentado no PDT está sendo manipulado e seus dirigentes acusados com denúncias de toda ordem das quais este partido nunca antes havia sido apontado. É grave, e mais grave ainda as autocomparações a Getúlio, Jango e Brizola, nosso último condutor e refundador do Trabalhismo na sigla PDT, após a volta do exílio, quando nos surrupiaram nossa velha sigla do PTB.
As comparações na ultima tentativa de desagravo na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, com faixas e declarações encomendadas e com referência a Jango, excederam este culto a personalidade ora homenageada naquela casa e momento, pois estão fora de contexto e qualquer semelhança ao ministro de Vargas “não é mera coincidência”, é provocação à história de homem digno, que enfrentou a ditadura em mais de 80 IPM´s e foi inocentado em todos, morrendo no exílio com dignidade e altruísmo, sem as devidas homenagens de chefe de Estado, em circunstâncias até hoje sob investigação do Estado brasileiro.
Como trabalhistas refutamos também as declarações de alguns dirigentes de nosso Partido, que sob a mira da justiça tem de se explicar na Câmara de Deputados dizendo que Lula (um grande presidente por sinal) foi o “maior presidente deste país”, sem se quer lembrar-se da figura do Presidente Vargas, nosso líder e exemplo, em um claro depoimento adulador para permanecer agarrado a um cargo ministerial, que a estas alturas já vem prejudicando toda a doutrina de nossas lutas.
-Presidente Vargas, nós trabalhistas te amamos!
-Ministro Jango; a seguir publicamos tua demissão para que os esquecidos te rememorem!

João Vicente Goulart

Diretor do IPG, Instituto João Goulart






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