Dilma dá “receita” de bom ministro, e Ribeiro não explica denúncias

Por Christina Lemos

A presidente Dilma Rousseff, em poucas palavras, elaborou uma espécie de receita para ser um bom ministro, durante a solenidade de posse do novo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP/PB) – sétima troca na equipe de ministerial motivada por suspeitas de desvios e corrupção. Dilma elencou três qualidades que, ao seu ver, são quesitos fundamentais para assumir um ministério: capacidade de negociação, bom trânsito político, postura rigorosamente republicana – e frisou bem a expressão  “rigorosamente republicana”.

Para bom entendedor, foi um recado claro sobre o tipo de comportamento que a presidente espera na gestão de mais de R$ 22 bilhões do orçamento das Cidades. Mais não poderia dizer a presidente, sob pena de melindrar os integrantes do PP, que acabaram forçados a trocar de ministro, depois da longa fritura de Mário Negromonte, provocada, entre outros colaboradores, por adversários seus no próprio partido.

O novo ministro parecia alheio ao péssimo ambiente político que permeia sua posse. Para Aguinaldo Ribeiro, aos 43 anos, com um ano de mandato de deputado virar ministro de Estado está melhor que a encomenda. As denúncias de favorecimento de parentes, de uso de laranjas para escamotear patrimônio e atividades empresariais – tudo isso é só “factóide”, segundo ele próprio traduziu, à guisa de explicação.

Ribeiro não apresentou qualquer esclarecimento formal ou informal para a torrente de denúncias que surgiram contra ele desde a última quinta feira, quando sua posse se tornou uma possibilidade concreta. Na posse, fugiu do cerco da imprensa de maneira constrangedora para alguém que está tomando posse e deveria ter razões para comemorar e não para se esconder. Só chegou a dar entrevista porque ficou encurralado por cinegrafistas, num corredor sem saída, atrás do cenário da solenidade, que, por sinal, ameaçou vir abaixo, tamanha a confusão.

Mau começo para o jovem ministro, que, pela pouca idade, agora é um dos mais novos integrantes do primeiro escalão, mas, aparentemente, já bem escolado nas velhas práticas da política.