#Sócrates não resiste à 3ª internação e morre vítima de infecção generalizada

Sócrates foi um dos principais jogadores da história do futebol brasileiro

Sócrates foi um dos principais jogadores da história do futebol brasileiro

04/12/2011 – 06h13 Do UOL Esporte
Em São Paulo 

O ex-jogador Sócrates morreu  às 4h30 neste domingo, no hospital Albert Einstein, em São Paulo, em decorrência de infecção generalizada. Ídolo do Corinthians, Sócrates, de 57 anos, havia sido internado pela 3ª vez desta vez em virtude de infecção intestinal. A infecção, porém, se generalizou, afetando outros órgãos.

Nas outras internações, o ex-atleta batalhou contra cirrose hepática, que causou hemorragia e problemas sérios no esôfago.
De acordo com o jornalista do UOL Juca Kfouri, Sócrates começou a passar mal após um almoço em um hotel em São Paulo na quinta-feira. No mesmo dia, ele foi encaminho ao hospital Albert Einsten em Alphaville. Pouco depois, Sócrates foi transferido para a sede do hospital. Ele pode ter sofrido a infecção intestinal causada por uma bactéria.
Sócrates esteve em sua terceira internação neste ano após tratar a hemorragia digestiva que teria sido causada pelo consumo de álcool de forma prolongada.
Na primeira internação, Sócrates ficou oito dias na UTI, recebendo alta em 27 de agosto. Os médicos instalaram uma espécie de cateter para estancar a hemorragia entre o pescoço e o fígado.
Aliviado quando deixou o hospital na primeira vez, em 27 de agosto, o ex-jogador afirmou que tinha vencido a luta e que ainda “incomodaria bastante”.
No entanto, voltou a ser internado nove dias depois, em estado gravíssimo. “Ele chegou mais morto do que vivo ao hospital”, relembra um dos filhos de Sócrates.
Sócrates tinha um perfil atípico para um jogador. Formado em medicina, o ex-meio-campista se engajou em lutas políticas, como o Diretas Já, nos anos 80. Ele foi um dos artífices da Democracia Corintiana, que estabelecia poderes aos jogadores nas decisões do clube.
O ex-jogador jamais escondeu o que pensava. Sócrates enfrentou o alcoolismo, problema enfrentado ainda como atleta profissional. Pela seleção brasileira, Sócrates disputou duas Copas do Mundo: 1982 e 1986.
O primeiro Mundial foi o que mais marcou o Magrão, autor de belos gols no torneio, entre os quais contra a União Soviética e Itália. Esquerdista e politizado, Sócrates estudou proposta para comandar a seleção de Cuba, mas a negociação não evoluiu. O ex-jogador deixa mulher e filhos. Raí, um dos seus irmãos, ficou famoso por ser ídolo no São Paulo na década de 90.

BOTAFOGO-SP, CORINTHIANS, SELEÇÃO…VEJA A BIOGRAFIA DE SÓCRATES

BOTAFOGO-SPO paraense Sócrates Brasileiro iniciou a carreira no clube de Ribeirão Preto, que defendeu entre 1974 e 1978. Em 1977, fez parte do melhor time da história do Botinha, venceu o primeiro turno do Campeonato Paulista e foi o artilheiro da competição.
REFORÇO CORINTIANOEm 1978, o São Paulo tinha praticamente acertado a contratação da revelação do Botafogo-SP. Mas o folclórico presidente corintiano Vicente Matheus mandou um representante se reunir com os são-paulinos, fingindo interesse no volante Chicão. Enquanto isso, Matheus foi para Ribeirão e voltou com Sócrates. SELEÇÃONão foi campeão do mundo, mas entrou para história atuando na Copa de 1982 numa das seleções mais fantásticas de todos os tempos, ao lado de craques como Zico, Falcão e Júnior. Quatro anos mais tarde, perdeu um pênalti na disputa com a França, que eliminou o Brasil no México.
CONQUISTASAlém do Mundial, faltou em seu currículo um título brasileiro, que o Corinthians perseguia. Com o clube faturou o bicampeonato paulista em cima do São Paulo (1982 e 1982). Antes, em 1979, conquistou seu primeiro estadual, também com o alvinegro. Pelo Flamengo, foi campeão carioca em 1986.
CALCANHARAprendeu a usar o toque de calcanhar para compensar a lentidão nos tempos de futebol de salão. A jogada virou sua marca registrada. Ainda pelo Botafogo, usou o calcanhar para fazer um gol de placa no Santos. BEBIDANo auge da Democracia Corintiana, Sócrates tomava cerveja no Parque São Jorge ainda com a roupa de treino. “Os dirigentes não tinham coragem de reclamar”, contava. Sempre defendeu que a bebida não atrapalhava o desempenho. “Futebol não é como o tênis, você tem mais dez pra correr por você”
ELE COMO TREINADORNos anos 90, o Doutor se arriscou como técnico do Botafogo-SP. A curta passagem foi marcada pelo estilo de se comunicar com os jogadores só por gestos durante as partidas. Trabalhou também na LDU, mas rescindiu o contrato reclamando de falta de profissionalismo dos jogadores. Em 1999, treinou o Cabofriense. A carreira nunca decolou.
MÚSICASem o mesmo talento demonstrado nos gramados, Magrão tentou levar a música a sério após se aposentar. Fez uma parceria com um guarda rodoviário para compor e cantar. A idéia era se apresentar em casas noturnas de Ribeirão Preto. TIME DO CORAÇÃOAté chegar ao Corinthians, torcia pelo Santos. A identificação com o time do Parque São Jorge, porém, fez Sócrates virar casaca. Dizia ser impossível jogar pelo Corinthians e não virar torcedor do clube por causa da Fiel.
DEMOCRACIAMovimento liderado por Sócrates, Vladimir e Casagrande entre 1981 e 1985. Todas as decisões do clube vinham pelo voto. O movimento tinha um viés político e graças ao publicitário Washington Olivetto foi divulgado no País inteiro. Em 84, Sócrates foi para a Itália e Casagrande, para o São Paulo. Era o fim da DC. Sócrates pregava o fim da concentração dos jogadores. Sempre gostou de futebol refinado, bebida alcoólica, cigarro e violão. MEDICINANos tempos de juvenil do Botafogo, levava os estudos na USP de Ribeirão Preto mais a sério do que o futebol. Depois de encerrar a carreira de jogador, dedicou-se pouco à medicina. Chegou a fundar a Mesc (Medicine Sócrates Center), especializada em medicina esportiva, mas a experiência não foi muito longe.
CASAGRANDEParceiro de Sócrates no Corinthians. Era um dos jogadores mais politizados do clube, ao lado de Vladimir. Em momentos dramáticos, os dois também dividem certa cumplicidade. Quando foi internado no Einstein, na última semana de agosto, Sócrates comentou os sintomas da cirrose hepática e do tratamento, lembrando das viagens que Casagrande sofria, quando também tinha cris